Por @guimendesthomaz

O Caminho do Itupava, localizado na Serra do Mar do Paraná, foi reaberto no dia 15 de outubro, após 6 meses de interdição devido as fortes chuvas que caíram sobre o Litoral do Paraná em março deste ano. As chuvas provocaram quedas de árvores e deslizamentos de terra, apresentando risco aos visitantes e aventureiros.

Agora reaberto, o caminho volta a oferecer mais segurança aos turistas, que vem sendo mais visitado e conhecido a cada ano. No ano passado, o Caminho do Itupava recebeu mais de 16.500 visitantes, atraídos principalmente pelos aspectos ambientais e históricos da trilha.

O Caminho do Itupava é uma das 68 Unidades de Conservação do Estado do Paraná,  gerenciadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e seu trajeto de 22 quilômetros está entre os municípios de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, e Morretes, no litoral do Paraná.

História do Caminho do Itupava
Originário de trilhas indígenas, o Caminho do Itupava é o caminho mais antigo do Paraná e, portanto, preserva um pouco da história da colonização do Paraná. A antiga Trilha do Itupava foi muito utilizada pelos jesuítas, comerciantes, aventureiros e apesar das diversas dificuldades que apresentava, era o meio mais rápido de se cumprir o trajeto Curitiba – Litoral durante a época colonial, por volta de 1625. Sendo assim, foi por muitos séculos, a principal ligação entre a planície litorânea e o alto planalto paranaense, desde o século XVII até a conclusão da Estrada da Graciosa em 1873 e a efetivação da Estrada de Ferro Curitiba – Paranaguá em 1885.

Seu trajeto iniciava no atual Largo Bittencourt (Círculo Militar), seguindo em direção leste passando pelo Bairro Alto, rio Palmital, Borda do Campo e adentrando-se na Serra do Mar Paranaense.  Quase todo seu percurso é pavimentado com pedras, colocadas por escravos no período de 1625 – 1654 e apesar do calçamento original ser atribuído aos padres jesuítas, afirma-se que o dinheiro investido no Caminho do Itupava foi arrecadado através de uma espécie de pedágio da época, denominado “barreira”, construída nas margens do rio que deu nome ao caminho, o Rio Itupava.

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Calçamento Original do Caminho do Itupava

O capital cobrado dos tropeiros e viajantes era destinado à manutenção do trecho serrano que, devido ao relevo acidentado, encarecia de estrutura. Seu ponto final é onde os rios Mãe Catira e Ipiranga se encontram e formam o Rio Nhudiaquara, onde os usuários do caminho seguiam pelos rios com pequenas canoas para Morretes, Antonina e Paranaguá, as principais cidades do litoral do Paraná que atualmente atraem muitos turistas devido ao seu charme, tranqüilidade e suas características históricas, culturais e gastronômicas, principalmente!

O trajeto proporciona contato íntimo com a natureza exuberante da Serra do Mar, passando por riachos de águas límpidas, árvores gigantescas, bromélias e orquídeas das mais variadas espécies, borboletas, pássaros, pequenos animais, belíssimas cachoeiras, paisagens maravilhosas e o prazer indescritível de caminhar na mata fresca e sombreada do trecho de Mata Atlântica mais preservado do Brasil.

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Caminho do Itupava: contato com a natureza exuberante da Serra do Mar e belíssimas paisagens

Além das paisagens naturais, os visitantes também podem contemplar as belezas construídas há muitos anos como o Santuário de Nossa Senhora do Cadeado, a Casa do Ipiranga, a Estação Marumbi. Em Quatro Barras, o Itupava é reconhecido como um dos principais pontos de visitação, fazendo parte do Roteiro Caminhos Históricos da Serra, juntamente com atrativos como a Estrada da Graciosa e o Morro do Anhangava, um dos principais campo-escolas de escalada do Brasil.

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Casa do Ipiranga: depredada pela ação tempo e pelo vandalismo

Há diversas opções para fazer o Caminho do Itupava. No início deste ano, fiz o caminho com alguns amigos e iniciamos nosso passeio bem cedo. Saímos de Curitiba com destino a Quatro Barras, cidade da região metropolitana de Curitiba onde o caminho começa.  Iniciamos nosso no momento em que o sol nascia e foram aproximadamente 7 horas de contato próximo com a natureza exuberante da Serra do Mar contemplando belíssimas paisagens, caminhando intensamente pelas trilhas incertas, íngremes e escorregadias do Caminho do Itupava e passando pela Casa do Ipiranga, a roda d’água de uma antiga usina (hoje desativada), Santuário de Nossa Senhora do Cadeado até nosso destino final, a Estação Marumbi.

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Pausa para foto e descanso em Nossa Senhora do Cadeado

O Caminho do Itupava não é bem sinalizado e, portanto, deve-se tomar muito cuidado e atenção durante o percurso. Há trechos muito íngremes e escorregadios, principalmente o trecho conhecido como “Caminho do Sabão”, nome sugestivo e auto-explicativo: cuidado, você estará sujeito a quedas e acidentes, que apesar de proporcionarem risadas e momentos de descontração ao grupo devido aos tombos e escorregões, dificultam e podem tornar o restante do passeio complicado!

Estação Marumbi, Serra do Mar - Paraná, Brasil

Estação Marumbi, Serra do Mar - Paraná, Brasil

Na Estação Marumbi, pegamos o Trem da Serra do Mar e voltamos para Curitiba contemplando mais belas paisagens. Foi uma combinação perfeita e que apesar de cansativo, foi um passeio muito interessante e divertido. Recomendo a todos!

Já fez o Caminho do Itupava? Comente e compartilhe sua experiência!

Para maiores informações e dicas sobre o Caminho do Itupava, entre em contato conosco por e-mail info@specialparana.com ou por telefone (41) 3232-1314. Conheça o Paraná com quem mais o conhece!

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Fonte: o²expedição – cicloturismo | G1.Globo.com | Agora Paraná

Fotos: Juliano Vieira